Papa mostra preocupação com incêndios na Amazónia

thumb image site 2019-03-24 angelusCidade do Vaticano, 25 Ago 2019 (Ecclesia) – O Papa manifestou hoje no Vaticano a sua preocupação com os incêndios que atingem a Amazónia, sublinhando que os problemas na região têm um impacto global. “Estamos todos preocupados pelos vastos incêndios que deflagraram na Amazónia. Rezemos para que, com o compromisso de todos, sejam dominados o mais rapidamente possível. Este pulmão de florestas é vital para o nosso planeta”, referiu Francisco, numa intervenção sublinhada pelos presentes na Praça de São Pedro com uma salva de palmas, após a recitação dominical da oração do ângelus.

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72 953 focos registados até 19 de Agosto, sendo a Amazónia a região mais afectada; esta é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta, incluindo territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, autorizou esta sexta-feira o recurso às Forças Armadas para combater os incêndios na Amazónia, no período entre 24 de Agosto e 24 de Setembro, com “acções preventivas e repressivas contra delitos ambientais”, bem como para “levantamento e combate a focos de incêndio”.

A 17 de Junho, o Vaticano denunciou num novo documento sobre a Amazónia a exploração levada a cabo por interesses económicos que ameaçam o “pulmão do planeta” e os direitos dos povos indígenas.

A vida na Amazónia está ameaçada pela destruição e exploração ambiental, pela violação sistemática dos direitos humanos elementares da população amazónica. De modo especial a violação dos direitos dos povos originários, como o direito ao território, à autodeterminação, à demarcação dos territórios e à consulta e ao consentimento prévios”, assinala o documento de trabalho da assembleia especial do Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia, que o Papa convocou para Outubro.

O texto conta com o contributo das comunidades locais, que apontam o dedo a “interesses económicos e políticos dos setores dominantes”, em particular “empresas extra-activistas, muitas vezes em conivência, ou com a permissividade dos governos locais, nacionais e das autoridades tradicionais”. Entre as ameaças elencadas estão “os grandes interesses económicos, ávidos de petróleo, gás, madeira, ouro, monoculturas agro-industriais”, bem como “megaprojectos de infraestruturas, como as hidroeléctricas e estradas internacionais, e actividades ilegais vinculadas ao modelo de desenvolvimento extra-activista” de minérios.

Já em Agosto, o Papa disse que o próximo Sínodo especial sobre a Amazónia é uma resposta da Igreja Católica a preocupações religiosas e ambientais, numa região decisiva para a sobrevivência da humanidade. “Não é uma reunião de cientistas ou de políticos. Não é um parlamento: é outra coisa. Nasce da Igreja e terá missão e dimensão evangelizadora. Será um trabalho de comunhão conduzido pelo Espírito Santo”, explicou, em entrevista publicada pelo jornal italiano ‘La Stampa’. A reunião de bispos foi anunciada pelo Papa a 15 de Outubro de 2017 e vai reflectir sobre o tema ‘Amazónia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral’, de 6 a 27 de Outubro deste ano. “A ameaça à vida das populações e do território deriva dos interesses económicos e políticos dos sectores dominantes da sociedade”, sustenta Francisco, sublinhando que a desflorestação significa “matar a humanidade”.

O tema voltou a ser referido no encontro de oração com peregrinos, esta manhã, num momento em que vários líderes internacionais e religiosos se têm manifestado sobre a vaga de incêndios na Amazónia. Perante milhares de pessoas reunidas no Vaticano, o Papa falou também das exigências da fé, segundo os ensinamentos de Jesus Cristo, na oração e na caridade. “Com a graça de Deus, podemos e devemos gastar a nossa vida pelo bem dos irmãos, lutar contra qualquer forma de mal e de injustiça”, disse Francisco, que se despediu com os tradicionais votos de “bom domingo” e “bom almoço”.

OC